terça-feira, 31 de maio de 2011

Homenagem a Voltaire de Souza

É o dia mundial sem tabaco. Trabalhava à sua mesa no escritório da elegante zona sul paulistana. De repente o colega ao lado comenta:

    • Escuta essa: ontem meu filho disse que durante a aula de filosofia o professor o chamou de babaca.
“Poxa, que professor idiota”. Antes que este pensamento lhe saísse pela boca, um terceiro comenta e ele passa a ouvir:
    • Caramba! E daí?
    • Aí meu filho perguntou se era com ele mesmo e o cara disse que sim. E que se ele quisesse que poderia chamar o papai e a mamãe pra conversar. Meu filho respondeu que não faria isso porque se ele pode chamar pai e mãe, o professor teria que chamar a diretora caso ele dissesse o que pensava dele.
    • Tá certo. Teu filho saiu bocudo que nem você.
    • É. Mas disse pra ele que ele se fudeu. Pois como o professor é de filosofia, se ele der um trabalho sobre arroz e feijão e meu filho disser que o certo é o feijão, o profi vai dizer que é o arroz.
    • Verdade.
    • O moleque disse ainda que ficará de boa. Mas que a vontade foi de dizer que o cara é um velho 50ão frustrado porque estudou a vida toda pra passar em seminário pra virar padre porque não gosta de mulher e não conseguiu. E agora tem que dar aula de filosofia pra moleque.
    • Haha...
    • Aí eu disse a ele pra tomar cuidado com o que fala porque hoje em dia tudo é preconceito.
    • Verdade – concordava o interlocutor com a sapiência de quem reconhece grandes valores.
    • Falei que ele não pode dizer que o cara é um grande viado, mas sim um homossexual de grandes proporções.
    • Haha...pior! Hoje em dia tá assim mesmo. Vamos ter que fazer uma camisa 100% hétero. Não tem a de 100% negro? Então, já põe as duas: 100% branco e hétero.
    • É...olha essa anedota: o sujeito chega ao amigo e diz “Osvaldo, seu viado de merda!” Nisso um policial passa e o algema dizendo que ele estava infringindo a lei por ser homofóbico. Aí o Osvaldo chega e diz “Calma aê doutor..eu e o quatro-olhos nos tratamos assim desde o tempo do colégio”. Nisso o policial também algema o Osvaldo pois este estava praticando bullying com o primeiro.
    • Foda né cara? Os valores se inverteram todos. Não podemos fazer mais nada.
    • Pior que é verdade...

Ao ouvir a última frase, se retirou meio atônito para a máquina de café. Pegou um sem açúcar e desceu ao térreo para fumar. Admirou a bela tarde de outono com a certeza de que o mal não é o que envenena a boca mas sim o que ela expele.